segunda-feira, 24 de outubro de 2011

De olho no mundo - 14


cardápio da imprensa
Nos dois últimos anos de mandato, Lula da Silva destinou R$ 61 bilhões do Tesouro para 27 países. Embora a maioria esteja na América Latina, nações da África e do Oriente Médio também viram a cor do nosso dinheiro – incluindo ditaduras como Irã, Líbia e Síria. Grande parte desses recursos públicos saiu do Brasil sem autorização do Senado, como determina a legislação – via financiamentos do BNDES para obras tocadas pelas mesmas empreiteiras nacionais que hoje bancam o ex-presidente em seus falatórios cobrados a peso de ouro.

O governo obviamente não divulga, mas dispõe de pesquisa informando que cerca de 40 milhões de brasileiros, que subiram das classes E e D para a C, não reconhecem as políticas oficiais como motivadoras dessa ascensão. E, por conseguinte, não se sentem obrigados a retribuir nada nas urnas.
No ambiente do Palácio do Planalto há uma consciência da importância e da qualidade do governo FHC, e que ele foi muito bem compreendido pela sociedade como promotor de mudanças relevantes. Tanto que o atual governo tem convicção de que não adianta ir contra essa realidade, sob pena de perder capital político. Assim, Dilma Rousseff tem se esmerado em tratar o tucano com extrema elegância e carinho, e mantê-lo ao alcance da vista.
Os rituais do poder adoram o ridículo. Mesmo diante das imagens terríveis do linchamento público e da morte de Muammar Kadafi, o novo governo líbio ainda veio a público afirmar que o ditador morreu vítima de um tiro acidental na cabeça.
Como os insurgentes da Líbia destruíram todos os palácios e esconderijos de Kadafi, Lula da Silva não tem para onde mandar mensagem de condolências pela morte de quem chamou “meu amigo, meu irmão e líder”.
O banho-maria aplicado na criação do Ministério da Micro e Pequena Empresa tem mais um ingrediente. Além do momento inadequado para novas despesas governamentais e do tempo que Luiza Trajano pediu para entregar a administração do seu Magazine Luiza a executivos, a empresária precisa resolver um rosário de pendências trabalhistas.
O INSS inicia um movimento muito oportuno e que poderá ajudar a combater a violência no trânsito. Pretende obrigar os motoristas responsáveis pelos acidentes a devolver à Previdência o dinheiro gasto com pensões por morte, invalidez e auxílio acidente.
Em apenas duas licitações do Ministério do Esporte, o TCU identificou superfaturamento de R$ 33 milhões. As beneficiárias são a brasileira Capricórnio Têxtil (fabricante de camisas e bermudas, que cobrou R$ 20 milhões a mais do que a segunda colocada) e a americana Johnson Controls (fornecedora de câmeras de vigilância para os estádios da Copa, que cobrou R$ 13 milhões a mais do que a segunda colocada).
Apenas para ilustrar o escândalo do Ministério do Esporte, a lista de fraudes comprovadas é enorme e foi citada dia desses por Arnaldo Jabor no Jornal da Globo. É bom não esquecer que o ministro Orlando Silva é aquele que comprou tapioca com cartão corporativo do governo.
Em moeda de hoje, as relações de cúpula entre PT e PMDB estão péssimas. Isso aponta para o descumprimento do acordo de inversão de presidências das casas legislativas do Congresso. Ou seja, mantidas as condições atuais de pressão e temperatura, e se o bom Deus permitir, no biênio 2013-2014 Zé Sarney fica na sua cadeirinha eterna no Senado e Marco Maia segue dando cartas na Câmara. Mas é bom não perder de vista o PSD, que acaba de nascer dono da terceira bancada do Congresso e doidinho para entrar na roda da fortuna.
Achando pouco a desgraça que impõe ao Maranhão nos últimos 50 anos, a família Sarney espetou nas costas do estado, por ato aprovado na Assembleia Legislativa, uma inutilidade chamada Fundação Sarney. O mausoléu do velho patriarca já está garantido com verba pública.
Essa história de tecidos do lixo hospitalar americano dominando a cena no segmento têxtil do interior de Pernambuco deixa evidente a urgência de investir na educação. É duro ver gente se pondo em alto risco por ignorância e porque o lixo é barato. E ainda aturar o governador Eduardo Campos afirmando que a culpa é dos Estados Unidos.
Ganha corpo na Europa um bem documentado movimento contra a internet sem fio. Os espanhóis começaram a reduzir sua utilização nas escolas, diante do risco de câncer pela exposição prolongada às radiações emitidas dos sistemas wi-fi. As torres de retransmissão dos celulares também são consideradas vilãs pelo mesmo motivo. Especialistas recomendam que os modems sejam desligados durante a noite, inclusive nos dispositivos residenciais. França, Suécia e Reino Unido também se mobilizam para retirar ou diminuir o número de equipamentos em escolas, bibliotecas e museus.
O real ganhou tal importância na economia de Miami que o governador da Flórida Rick Scott iniciou movimento político para abolir a exigência de visto de entrada para brasileiros nos Estados Unidos. Ele chega esta semana ao Brasil à frente de uma comitiva de 180 pessoas para reforçar laços comerciais.
O grau de ignorância e desinformação anda tão elevado que, no Twittermundial, Steve Jobs aparece mais relacionado à Microsoft do que à Apple.
Com o lançamento de As esganadas, seu novo livro, Jô Soares se revela cansado da censura ao humor e da patrulha dessa baboseira denominada “politicamente correto”.
Record sofre na pele os efeitos da decisão de se meter em seara estranha. Cega pelo desejo de desbancar a Globo a qualquer preço começou a fazer ofertas mirabolantes para tirar da rival eventos esportivos consagrados. Agora, dona do direito de transmissão do Pan, tem conseguido audiências inferiores ao que registrava com seus programas costumeiros. Os “bispos” esqueceram que o grosso do público da emissora prefere rezar e não demonstra interesse por muita coisa além disso. O fiasco poderá se repetir nas Olimpíadas de 2012, que a rede também transmitirá de Londres.
Bloch Editores publicava monumentos gráficos como a revistaManchete e outros títulos de sucesso como Fatos & Fotos, Pais & Filhos, Geográfica Universal, Desfile, Ele & Ela, Amiga, Sétimo Céu. O império desapareceu e um de seus maiores ícones está à venda num ferro-velho da Avenida Brasil: o “M” gigante que informava aos passantes que naquele prédio famoso da Glória também funcionava a TV Manchete.
O médico Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos de prisão por estuprar 56 pacientes em sua clínica de fertilização, fugiu para o Líbano e acaba de ser pai de gêmeos por lá.
Primeiro foram chamados de celebridades instantâneas. De uns tempos para cá viraram celebridades virais, com vida útil ainda menor. Oxalá, um dia virem celebridades nonatas.
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Aqueles meninos que acertaram as contas com Kadafi bem que podiam passar uns dias em Brasília.

Zé Prativai, meio que querendo uma espécie de 'Primavera da Corrupção', só que mandando os corruptos ao lugar que eles merecem: a cadeia.
 

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